A audição antecipada dos partidos - O epílogo burlesco da farsa presidencial
Entre outras coisas, será um espaço de crítica actual de factos (ou fatos) e acontecimentos que ocorrem e sucedem no nosso país e que potenciam o nosso crescente "direito à indignação". Será também, um espaço de opinião livre, mas responsável, sobre temas diversos. Sevla
terça-feira, 19 de março de 2024
sábado, 16 de março de 2024
O ‘HOSPEDEIRO’
As eleições legislativas de 10 de
março, foram uma punição extrema do eleitorado, ao comportamento errante e inconstitucional
do presidente Marcelo coadjuvado por um grupo de «mosssos de esquadra» do ministério
público encabeçado pela sua líder de redação infeliz, embora ditada. O
resultado não podia ser pior, para a democracia portuguesa. A interação entre o
crescimento exponencial de um parasita e a conduta presidencial, é consequência
inevitável da doença que o país presentemente padece. A ingovernabilidade. O
presidente alojou o parasita, servindo de ‘hospedeiro’ para a sua disseminação.
Hoje, a política portuguesa, está doente, intencionalmente. O ‘hospedeiro’,
prossegue o protocolo, como se nada se passasse. Aliás, o ‘hospedeiro’ antecipa
etapas do protocolo, num desnorte confrangedor. Ainda os resultados totais das eleições
não são conhecidos e havendo um aparente empate técnico entre os maiores partidos
e já o ‘hospedeiro’ se pôs a ouvir os partidos, que, e bem, já disseram que terão
de ser ouvidos de novo conhecidos que sejam os resultados definitivos.
Percebe-se a “urgência”. O ‘vírus’ está a espalhar-se, vertiginosamente, e há
já quem aconselhe a alojar o parasita numa aliança mais alargada na perspetiva
de criar a imunidade de grupo. Era isto que o ‘hospedeiro’ pretendia e às
pressas tenta conseguir. É claro que, para fora, o ‘hospedeiro’ anuncia o contrário.
É necessário que o parasita se espalhe para que toda a sociedade fique
infetada. É este o objetivo. Se assim é, não seria preferível isolar o
´hospedeiro’? Podemos assistir impávidos e serenos a estas macabras maquinações
do ‘hospedeiro’? Já não é a primeira é a segunda vez que o ‘hospedeiro’ mina a
confiança do eleitorado. Desta vez agravou duplamente, já que perante uma
democracia maioritariamente estável e saudável, não só a derrubou como adicionou
um parasita, que veio tornar ingovernável o país. Vamos ter, de novo, em
janeiro de 2025, eleições antecipadas? Quem paga tudo isto? Será que o ‘hospedeiro’
pretende vencer o eleitorado português pelo cansaço? Se assim é, serão dois
anos penosos!
segunda-feira, 11 de março de 2024
FORA, MARCELO!
Ainda nem vinte e quatro horas das
eleições legislativas em Portugal se passaram e verificou-se o cenário de
ingovernabilidade que os ‘estudiosos’ proclamavam, já sendo possível com alguma
propriedade, organizar um movimento que denominaria, ‘Fora Marcelo’, com o
intuído de retirar da presidência Marcelo Rebelo de Sousa, pelos danos causados
há democracia nos últimos anos. A impunidade de Marcelo nas irregularidades que
vem praticando, desfazendo maiorias absolutas, sem qualquer apoio
constitucional, cairiam no âmbito do crime de responsabilidade, em qualquer
outra latitude. Porém, em Portugal, «país de brandos costumes», tendemos
a relativizar os comportamentos antidemocráticos e de violação da constituição,
a coberto da ideia de que o presidente não tem poderes executivos e como tal
dificilmente poderá ser julgado pelas suas ação e omissões antidemocráticas e
anticonstitucionais. Contudo, o artigo 130.º da Constituição é claro: “1.
Por crimes praticados no exercício das suas funções, o Presidente da República
responde perante o Supremo Tribunal de Justiça.” Ora, usar sistematicamente
a dissolução do parlamento, de forma que o processo eleitoral volte ao início,
com vista a colocar no poder a sua família política, é um comportamento
censurável e que cabe no âmbito da norma constitucional acabada de citar. Pela
terceira vez os portugueses são chamados a votar, numa espécie de teimosia
presidencial, dispondo o país de maiorias absolutas que garantiam a
estabilidade política, como aconteceu. Viciar as regras da democracia,
personificando o voto em pessoas e não em partidos, mesmo que estes disponham
de maioria absoluta, é um desrespeito pelo voto dos cidadãos e uma agressão ao regime
democrático instaurado em 25 de Abril de 1974. Negar ao partido mais votado a
escolha de um substituto é violar ostensivamente Esse desrespeito e essas
agressões, deverão ser vista no âmbito do crime de responsabilidades políticas
a que, também o presidente, se encontra sujeito. O artigo 187.º, n.º 1, da
Constituição, determina: “1. O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente
da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e
tendo em conta os resultados eleitorais.” Estes “resultados eleitorais” por
duas vezes, não foram respeitados pelo presidente Marcelo. Agora, mais uma vez,
o país o repreendeu dando-lhe uma maioria ingovernável. Salva-lhe o partido
neofascista, para regressarmos ao passado, passado esse, que Marcelo não
enjeita, mas que o povo rejeita. Fora Marcelo, é a opção.
sábado, 9 de março de 2024
DIA DE RECOLHIMENTO E DE REFLEXÃO
Hoje é dia de recolhimento ‘político’ ou de recolhimento interior, buscando paz ou crescimento pessoal, para a jornada do dia seguinte. As eleições legislativas de iniciativa presidencial.
É, igualmente, dia de reflexão,
ou seja, dia destinado a permitir que os eleitores tenham um período de
reflexão sem influências externas antes de tomarem a sua decisão nas urnas.
Durante o dia de reflexão, as atividades de campanha, como comícios e
distribuição de material promocional, são proibidas para garantir um processo
eleitoral justo e transparente.
Depois de semanas de intensa
campanha eleitoral, comícios, distribuição de material promocional, entrevistas
nas rádios e tvs, comentários nos mais variados órgãos de comunicação social,
chega o dia em que tudo isto é proibido, e os eleitores dispõem de uma pausa
para refletir sem influências externas antes de tomarem a sua decisão nas
urnas.
Há quem já ponha em causa este
dia de reflexão, considerando que a democracia está estabilizada e os eleitores
bem informados. Por outro lado, dizem (sem razão), que o voto antecipado veio
mostrar a inutilidade deste dia de reflexão. Este argumento é espúrio, pois
para além de ser uma situação excecional, justifica-se para responder a um
conjunto de situações, também elas excecionais. O dia de ‘recolhimento’ e
reflexão, não é uma criação da democracia portuguesa. Existe em quase todos os
países europeus, embora com diferentes matizes. Só por aqui dá para perceber,
que não é o facto de a democracia ser jovem ou não que o dia de reflexão se
mantém. O dia de reflexão é uma medida que visa proteger a integridade do
processo democrático. Por isso, as vozes que em Portugal questionam a
manutenção do dia de reflexão, como o atual Presidente da República, Marcelo
Rebelo de Sousa, que defende a “oportuna reponderação” do dia de
reflexão na véspera das eleições, que considera ter sido pensado para "outra
época e outras preocupações", mostra o tão equivocado está o
pensamento de Marcelo, nesta matéria. É claro que há outros modelos com o dos
EUA em que não há dia de reflexão e a campanha eleitoral vai até à boca das
urnas, numa comercialização do voto, sem decência. Será este o modelo de
Marcelo e outros? É bem possível!
Por último, é politicamente
censurável e intelectualmente desonesta a posição do Presidente da República de
que ‘não levantará obstáculos à formação de um Governo com o apoio do Chega,
caso esse seja o desfecho eleitoral das legislativas antecipadas que irão ter
lugar a 10 de março.’ Como Montenegro e a AD, já disseram explicitamente
que não há nem haverá qualquer acordo com o Chega, Marcelo prepara-se para
formar um governo de iniciativa presidencial, com o Chega. Só pode! Esta
interferência e condicionamento ao processo eleitoral, vai ter o seu epílogo no
discurso marcado por Marcelo, para hoje, dia de reflexão, o que é uma prova
acabada de que o Presidente tudo fará para vincar os condicionamentos, que
deixou expressos nos vários cenários lançados pelo jornal do partido, que já
não é ‘Expresso’, mas ‘Alfa Pendular”. Que o eleitorado, categoricamente, saiba
responder a mais esta provocação presidencial.
sábado, 2 de março de 2024
AS ELEIÇOES DE INICIATIVA PRESIDENCIAL
A 10 de março de 2024, se os
policias deixarem, vão realizar-se as eleições legislativas de iniciativa
presidencial. Não são as primeiras, são as segundas que, por iniciativa
presidencial, os portugueses, são chamados às urnas. Nas primeiras de
iniciativa presidencial, que foram em janeiro de 2022, o povo não gostou que o
presidente não exercesse competentemente a constituição e por isso respondeu
com uma maioria absoluta ao PS. Estava o ‘caldo entornado’. Marcelo, não gostou
desta ‘reprimenda’ eleitoral, vai daí, jurou para consigo mesmo, que isto não
ficaria assim. E não ficou. Dois anos depois, em aliança com a justiça,
dissolve o parlamento e volta a marcar eleições legislativas, para o próximo
dia 10 de março. Estava feita a desforra. Como irá o eleitorado responder a
mais esta provocação Marcelista? Será difícil de prever, em todo o caso, mais
uma vez, o país perde. Estes vazios políticos que o presidente insiste em
promover, de dois em dois anos, enfraquece as instituições, fomenta a anarquia
nas forças de segurança, promove o laxismo nos serviços do Estado, espicaça as
forças armadas, cria o desanimo na economia, aumenta o populismo, a agressão e
o ódio, fortalece a divisão entre os portugueses, alimentando, isso sim, os
jornalistas do acessório que num debate entre eles, se satisfazem a dar notas
uns aos outros, numa perfeita reconstituição da tv marcelista, na era do
comentário. São estas ‘forças de bloqueio’ que uma vez instalados no poder atrasam
o desenvolvimento do país, criando interregnos inexplicáveis e inconcebíveis,
acentuando, como diria Pessoa, «escravos da mentalidade estrangeira, uns;
escravos da falta de mentalidade própria, todos…». Os tempos são outros,
mas a mentalidade de alguns políticos são as mesmas. Falta-lhes o sentir da
nação como um todo, falta-lhes o orgulho de servir Portugal e os portugueses.
Tudo é feito em benefício próprio. Neste particular, somos um péssimo exemplo.
Vejamos o exemplo do que se
passa, no Reino Unido. O partido conservador ganhou as eleições gerais em 2019
(já vinha a governar desde 2010). Nas eleições gerais de 2019, os conservadores
obtiveram uma maioria, mas uma série de escândalos levou à moção de censura de Boris Johnson, à crise do governo de julho de 2022 e à
renúncia do então primeiro-ministro. A Boris Johnson sucedeu Liz Truss, que
anunciou sua própria renúncia menos de dois meses depois, após outra crise
governamental. Rishi Sunak foi eleito sem oposição como líder do partido em 24
de outubro de 2022 e primeiro-ministro. Ou seja, o partido vencedor das
eleições, independentemente, das crises e escândalos, por que passem os seus líderes,
não tem de dar origem, forçosamente, à queda do governo e à dissolução do
parlamento. Preservar as instituições democráticas e fortalecer as regras da
democracia, exige que os eleitos saibam construir as pontes necessárias ao
funcionamento da democracia. Quando um presidente, não tem esta cultura
democrática, dificilmente estará em condições de promover este crescimento
democrático no país. Infelizmente, é o que nos está a acontecer, há tempo
demais.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024
A ‘INTENTONA’ DE BELÉM …!
Cinquenta (50) anos depois da
denominada ‘intentona das Caldas da Rainha’, na madrugada de 16 de março de
1974, nova intentona, esta de sinal contrário, foi desencadeada em Lisboa para
10 de março de 2024, com vista a debilitar a democracia e substituí-la por
outro regime mais neoconservador, de extrema-direita, de cariz fascizante. Este
‘golpe’ perpetrado pelo PR com a ajuda do poder judicial, tem sido visto como
um Golpe de Estado palaciano, feito ao ‘ralenti’, e com a particularidade de as
forças partidárias e a sociedade em geral, não reagirem ao golpe. O país,
antes, reivindicativo, contestatário, com policias na rua, professores na rua,
médicos na rua, agricultores na rua, guardas prisionais na rua, todos e cada um
deles, após a ‘intentona’, recolheram aos seus lugares, mudos e quedos, perante
o vazio que se instaurou. O país, parou, deixou de funcionar, ou melhor,
funciona através da inércia. Os poderes de Estado estão em «roda livre». O
poder judicial é o que se sabe, o governo é de gestão, a assembleia não existe,
tudo parou. Exceto os jornalistas e o jornalismo do acessório. Esses, cuja
importância atual é nenhuma, animam a ‘feira’ com os figurantes disponíveis. Só
o supérfluo está atuante. O mentor do ‘golpe’, como sempre acontece,
resguardou-se no palácio, com a sua gente, esperando que nada de pior aconteça.
Como qualquer líder de um ‘golpe’ que se preze, foram marcadas eleições
legislativas para 10 de março, do corrente ano. Estas eleições, de iniciativa
presidencial, tem por finalidade colocar no poder amantes do ‘golpe’. Para
tanto, desenterraram-se partidos, já há muito considerados extintos, e
deu-se-lhes vida para as eleições, em aliança, claro. Muitos de nós
criticávamos as eleições existentes antes do 25 de Abril de 1974, onde «até
os mortos» votavam. Como vêm, a diferença é nenhuma. Entretanto, na
‘vacatio’, o espetáculo é indecoroso. Arguidos que dizem que já não o são,
voltam para o assalto ao poder, com o silêncio beneplácito do autor do ‘golpe’,
padrinho desta família numerosa. Os juízes de instrução (os das liberdades,
lembram-se?), queixam-se dos procuradores do ministério público e estes
daqueles. Aqueles dizem que estes fazem acusações "vagas" e
contraditórias" e que, em alguns casos, não detetaram qualquer indício dos
crimes de corrupção por parte dos suspeitos, nem de nenhum outro crime. Só por
estes simples factos, estiveram detidos 3 (três) indivíduos durante mais de 15
dias. É obra. Mas a «cereja no topo do bolo», aconteceu com a promulgação
presidencial do Orçamento de Estado, no dia de ontem, 19-02-2024. Refrescando a
memória de alguns, lembre-se que o Presidente ‘adiou’ a demissão do governo e
consequente dissolução da assembleia para mais tarde, numa manobra inconstitucional,
com fundamento na necessidade da aprovação do Orçamento de Estado para 2024.
Aprovado que foi o dito orçamento, veio agora Marcelo a promulgá-lo, deixando,
porém, alguns "reparos" ao documento, considerando que o Orçamento
apresenta "limitações a maior ênfase social", não acolhe
"algumas pretensões empresariais" e inclui "soluções de carácter
programático". Digam-nos lá, para que serviu aprovar um Orçamento, com
tantos vazios?
Palavras para quê? É um artista
português …
sábado, 17 de fevereiro de 2024
A FRAQUEZA DOS PILARES DO REGIME DEMOCRÁTICO PORTUGUÊS
É com um sentimento de alguma
tristeza que quase 50 anos depois da instauração da democracia e do Estado
Social de Direito, que se assiste ao ruir de algumas das principais
instituições democráticas, como a Presidência da República, o Supremo Tribunal
de Justiça e o Ministério Publico. Quem esteja minimamente atento, verificará
que o povo português na sua generalidade, tem sido de uma bondade sem limites,
para estes representantes do poder político e do poder judicial, dando-lhes o
tempo, mais que suficiente, para cobertos de vergonha, se demitirem dos seus
cargos, assim evitando perpetuar o sofrimento de todos e degredando, cada dia
que passa, as instituições legitimas da democracia portuguesa. Persegue-se a
corrupção, o branqueamento de capitais, a prevaricação, o abuso de poder, a
fraude fiscal, etc., etc., mas estes representantes destas instituições
democráticas estão imunes à sanção. Não ao julgamento que o povo faz destes
comportamentos que, de uma maneira geral, é de veemente protesto. Não, falta a
sanção, provisória ou definitiva. O presidente português dissolveu a assembleia
da república em dois casos em que havia maioria absoluta para governar. O
eleitorado, aquando da primeira dissolução, puniu a leviandade presidencial com
uma nova maioria absoluta. Dir-se-ia que, o presidente teria aprendido. Não,
pelo contrário. Com o apoio do poder judicial e a coberto dele, o presidente
praticou uma das maiores violências para com o povo português, ao dissolver de
novo a assembleia da república, para satisfazer interesses da sua família
política em detrimento da democracia. Haverá sanção? É absolutamente certo que sim. Resta saber se
o povo não sai “queimado”, desta vez. As circunstâncias em que o presidente
decidiu tomar estas atitudes antidemocráticas, dão força e espaço ao
desenvolvimento de células “cancerígenas” no corpo da democracia. O presidente
sabia disso, mas mais entretido em violar a constituição e a promover o
amiguismo, deixou que isso acontecesse. Resultado, mesmo que sancionado, quem
perde será o povo português.
Também o Supremo Tribunal de
Justiça (STJ), por omissão, decidiu participar no jogo antidemocrático, em que
o país caiu. Tem nas suas mãos, desde outubro de 2023, ao que dizem, um
inquérito (?) por suspeita, baseada na invocação do nome do primeiro-ministro
de Portugal, algures num dos processos que o Ministério Público, decidiu abrir.
O STJ, com a lentidão conivente de quem quer participar no processo político e
apesar do primeiro-ministro se ter demitido umas horas depois da invocação do
seu nome, mantêm o suspense sobre as razões que incidem sobre o
primeiro-ministro demitido, não havendo, sequer, até agora, qualquer “fumus”
que o possam tornar suspeito, seja do que for. Mas, com a falta de sentido de
estado que caracteriza esta omissão, o STJ, usa o cliché de que “ninguém está
acima da lei”, para o manter a ‘cozer em lume brando’, certamente, para não
perturbar as eleições de 10 de março. Será que o sentido de Estado não deveria
impor uma conduta diferente, tratando-se de um primeiro-ministro de um país da União
Europeia? Que sentido faz, submeter um primeiro-ministro e o país que
representa, aos vexames internacionais, nos fóruns em que participa? Isto nada
tem a ver coma separação de poderes, mas antes, e sobretudo, à omissão desse exercício.
As referências ao nome do ex-primeiro ministro António Costa, passaram a ser
autonomamente analisadas no âmbito de inquérito instaurado no Supremo Tribunal
de Justiça, isto porque a lei obriga a que os titulares de cargos de soberania
só podem ser investigados ou julgados no Supremo. Porém, horas depois de o seu
nome constar em comunicado da PGR, o primeiro-ministro apresentou a sua demissão
que foi aceite, Neste caso, o processo não poderia (deveria?) ter voltado para o
DCIAP, de onde veio? Nada tendo sido feito, num sentido ou noutro, volvidos que
estão 4 (quatro) meses, são fundadas as dúvidas dos objetivos que se escondem.
O descrédito, está garantido.
Finalmente o Ministério Público,
outro pilar do regime democrático português, em ‘falência técnica’, há muito.
Como sabemos, o Ministério Público não é um órgão de soberania, felizmente,
digo eu. O Ministério Público (MP) é um órgão constitucional com competência
para exercer a ação penal, participar na execução da política criminal definida
pelos órgãos de soberania, representar o Estado e defender a legalidade
democrática e os interesses que a lei determinar (artigo 219.º/1, CRP). No exercício
das suas funções, são inúmeros os exemplos de uma atuação «contra legem» e até
da judicialização da política. A impreparação e a sede do poder, têm toldado de
uma forma dramático o exercício das funções destes procuradores que «em roda
livre», ditam os destinos de terceiros, sem quaisquer preocupações relativas ao
Estado de Direito Democrático, onde se inserem. Sem escrutínio de qualquer
espécie, embora exista um Conselho Superior do Ministério Público, integrado na
Procuradoria-Geral da República, cuja titular, está totalmente paralisada pelos
acontecimentos que lhe escapam e não controla. Bem dizia um ex-Conselheiro do
Supremo Tribunal de Justiça e ex-Procurador-Geral da República: “O
procurador-geral da República tem os poderes da rainha de Inglaterra”. Os
últimos episódios do Ministério Público, de uma gravidade extrema, e que se vêm
repetindo a um ritmo avassalador, exige e impõe que o povo, onde reside a
soberania, saiba promover as alterações necessárias com vista ao regular
funcionamento das instituições democráticas, em déficit neste momento.