segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 “TEMPO DE DISSENSO: OU PORQUE VOTO VENTURA”

Em artigo, com o título supra, publicado no Expresso, a Prof. Dr.ª Teresa Nogueira Pinto, diz-nos que a razão por que vota em Ventura é, essencialmente, porque “Esquecemo-nos de que todas as ideias, à esquerda, ao centro, ou à direita, quando não enfrentam contraditório, tornam-se perigosas”.

Esta asserção, verdadeira, choca com a realidade política do candidato que apoio, assumidamente, antidemocrático e anti regime constitucional saído do 25 de abril de 1974.

A professora que declarou “Adoro viver em democracia…” é a mesma que declara apoio ao candidato antidemocrático do regime. É uma contradição insanável que nem os seus mais próximos aceitam. Chamo à colação, por exemplo, o último artigo do Professor Dr. Jorge Miranda, “ Nunca votarei num candidato que defende a prisão perpétua, não aprecia a estabilidade democrática trazida pela Constituição de 1976 e pretende revogar os limites materiais de revisão constitucional.

Parece apelar a Salazar, a três Salazares;

Defende a prisão perpétua;

Não aprecia a estabilidade democrática trazida pela Constituição de 1976;

Pretende revogar os limites materiais de revisão constitucional;

Tem cartazes a secundarizar refugiados e emigrantes;

O seu partido faz um populismo nacionalista semelhante ao de outros partidos na Europa;

Concorda com o narcisismo e o expansionismo contrário ao direito internacional de Donald Trump.”

A professora que “adora a democracia” não esconde o seu desconforto que a mesma esteja associada à revolução de Abril. Embora nascida nos anos oitenta do séc. XX, não absorveu a cultura democrata cristã, antes cultivando os princípios do regime ditatorial, conservador e autoritário, derrubado em 25 de abril de 1974, contrariando o que a própria declarou no podcast do Expresso “O legado é um bem precioso”, no que toca, por exemplo, à sua mãe, democrata cristã, convicta, e já falecida. O significado de legado é esse e não outro.

Admitindo, sem conceder, que possa existir dissenso político entre um candidato que defende o regime democrático e outro que o rejeita, tal dissenso não é democrático. Com efeito, o dissenso democrático pressupõe a aceitação comum das regras do regime. Quando o candidato da professora nega a própria democracia, o conflito incide sobre a legitimidade do sistema político e não sobre divergências internas ao regime.

Em suma, a professora vota em Ventura, não porque defenda o pluralismo, como parece indiciar, mas porque a democracia nascida em Abril de 1974, é-lhe de origem “plebeia”

Este é o pecado…!

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