“TEMPO DE DISSENSO: OU PORQUE VOTO VENTURA”
Em artigo, com o título supra, publicado no Expresso, a
Prof. Dr.ª Teresa Nogueira Pinto, diz-nos que a razão por que vota em Ventura
é, essencialmente, porque “Esquecemo-nos
de que todas as ideias, à esquerda, ao centro, ou à direita, quando não enfrentam
contraditório, tornam-se perigosas”.
Esta asserção, verdadeira, choca
com a realidade política do candidato que apoio, assumidamente, antidemocrático
e anti regime constitucional saído do 25 de abril de 1974.
A professora que declarou “Adoro viver em democracia…” é a mesma
que declara apoio ao candidato antidemocrático do regime. É uma contradição
insanável que nem os seus mais próximos aceitam. Chamo à colação, por exemplo, o
último artigo do Professor Dr. Jorge Miranda, “ Nunca votarei num candidato que defende a prisão perpétua, não aprecia
a estabilidade democrática trazida pela Constituição de 1976 e pretende revogar
os limites materiais de revisão constitucional.
Parece apelar a
Salazar, a três Salazares;
Defende a prisão
perpétua;
Não aprecia a
estabilidade democrática trazida pela Constituição de 1976;
Pretende revogar os
limites materiais de revisão constitucional;
Tem cartazes a
secundarizar refugiados e emigrantes;
O seu partido faz um
populismo nacionalista semelhante ao de outros partidos na Europa;
Concorda com o
narcisismo e o expansionismo contrário ao direito internacional de Donald Trump.”
A professora que “adora a democracia” não esconde o seu
desconforto que a mesma esteja associada à revolução de Abril. Embora nascida
nos anos oitenta do séc. XX, não absorveu a cultura democrata cristã, antes
cultivando os princípios do regime ditatorial, conservador e autoritário, derrubado
em 25 de abril de 1974, contrariando o que a própria declarou no podcast do
Expresso “O legado é um bem precioso”,
no que toca, por exemplo, à sua mãe, democrata cristã, convicta, e já falecida.
O significado de legado é esse e não outro.
Admitindo, sem conceder, que possa
existir dissenso político entre um candidato que defende o regime democrático e
outro que o rejeita, tal dissenso não é democrático. Com efeito, o dissenso
democrático pressupõe a aceitação comum das regras do regime. Quando o
candidato da professora nega a própria democracia, o conflito incide sobre a
legitimidade do sistema político e não sobre divergências internas ao regime.
Em suma, a professora vota em
Ventura, não porque defenda o pluralismo, como parece indiciar, mas porque a
democracia nascida em Abril de 1974, é-lhe de origem “plebeia”
Este é o pecado…!
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