A SEGUNDA PANDEMIA DO SÉC. XXI
Todos se recordam de como, em 2019,
o mundo foi abruptamente confrontado com um novo inimigo invisível: o vírus
inicialmente designado como SARS-CoV-2. A necessidade de um nome oficial
rapidamente se impôs, não apenas por uma questão científica, mas também ética e
social. Evitar associações geográficas, culturais ou políticas tornou-se
essencial para prevenir estigmatizações. Assim, sob a égide da Organização Mundial da Saúde, surgiu a
designação COVID-19.
A pandemia de COVID-19 marcou uma
geração. Sistemas de saúde colapsaram, economias foram paralisadas e a vida
quotidiana sofreu transformações profundas. Ainda assim, em maio de 2023, a OMS
declarou o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional,
sinalizando uma transição para uma fase de controlo e convivência com o vírus.
Contudo, a História parece ter uma
inquietante tendência para se repetir — embora sob novas formas.
Nem dois anos haviam passado, e o
mundo volta a ser assolado por aquilo que muitos já designam como a “segunda
pandemia do século XXI”. Desta vez, porém, não se trata de um vírus biológico
no sentido clássico, mas de um fenómeno híbrido, onde política, poder e
influência global se comportam como agentes patogénicos.
A origem desta nova “estirpe” é
apontada aos Estados Unidos da América,
com desenvolvimento estratégico associado a estruturas laboratoriais em Israel. Ao contrário da COVID-19, esta nova
forma de contágio não se transmite por vias respiratórias, mas através de
decisões políticas, pressões económicas e intervenções militares.
No centro deste fenómeno surge uma
figura amplamente reconhecida: Donald Trump,
aqui descrito metaforicamente como o principal “agente infecioso”. A sua
influência, direta ou indireta, propaga-se por redes de poder que transcendem
fronteiras, alimentando tensões geopolíticas e reconfigurando alianças globais.
Tal como um vírus que encontra
condições ideais para se multiplicar, esta “estirpe” revela particular
afinidade por regiões ricas em recursos naturais — petróleo, gás, minerais e
pedras raras. Países detentores destes recursos tornam-se focos de
instabilidade, sendo progressivamente envolvidos em conflitos que transformam
cidades em cenários de guerra e populações em vítimas colaterais.
A analogia com uma pandemia não é
meramente retórica. Tal como na crise sanitária, também aqui se observam
padrões de propagação, mutação e impacto sistémico. A diferença crucial reside
no facto de que esta nova ameaça não pode ser combatida com vacinas ou medidas
de saúde pública tradicionais. O seu combate exige diplomacia, consciência
crítica e uma reflexão profunda sobre os mecanismos de poder global.
Se a primeira pandemia expôs a
fragilidade dos sistemas de saúde e a interdependência global, esta segunda
revela algo ainda mais inquietante: a vulnerabilidade das estruturas políticas
e a facilidade com que conflitos podem ser “normalizados” sob a lógica de
interesses estratégicos.
A questão que se impõe é
inevitável: estaremos preparados para enfrentar esta nova forma de pandemia?
Ao contrário de um vírus
biológico, cujo genoma pode ser sequenciado e estudado, esta “estirpe” é
alimentada por decisões humanas. E isso significa que, em última análise, a sua
contenção depende da própria humanidade — da capacidade de aprender com o
passado e de resistir à repetição dos mesmos erros.
A segunda pandemia do século XXI não se mede em taxas de infeção, mas
em níveis de instabilidade, destruição e perda de humanidade. E talvez o seu
maior perigo resida precisamente no facto de não ser reconhecida como tal.