segunda-feira, 10 de agosto de 2026

O EPISÓDIO DE NATUREZA CRIMINAL NO PARLAMENTO PORTUGUÊS – Parte II

 O alegado assalto ao gabinete do Chega na Assembleia da República, na madrugada de 28 de julho, último, está, aparentemente, em investigação. Assim deveria ser, de facto. Porém, 12 (doze) dias depois, abateu-se sobre o caso um silêncio e uma penumbra, totalmente incompatível com a gravidade da situação. O crime na casa da democracia, tem menos importância que o atrelado e/ou o tanque do ministro. Por que razão as autoridades políticas se mostram ‘complacentes’ com o crime? E a comunicação social, sempre tão lesta no acontecido se apresenta ‘muda e calada’? ‘Á justiça o que é da justiça e à política o que é da política’ É isso? Só quando dá jeito. E agora, pelos vistos, dá.

Entretanto, numa aparente postura de branqueamento, um ex-deputado do PSD veio denunciar a existência de furtos no Parlamento nos últimos anos, como computadores, canetas e óculos de sol que desapareceram dos gabinetes. Sabíamos que, nos últimos anos um deputado do Chega, conhecido por furtar malas nos aeroportos, também lhe ‘fugia a mão’ no parlamento. Não vem dito se tinha cúmplices. As autoridades saberão e Luis Neves, também.

Abre-se aqui um parêntesis para dizer que o deputado das ‘malas’, passou a deputado independente e mantem-se no parlamento.

Confesso que havendo a probabilidade séria, ou como se diz em linguagem jurídica, Indícios suficientes que, relacionados e conjugados, persuadem da culpabilidade do agente, fazendo nascer a convicção de que virá a ser condenado, não exista uma medida de suspensão obrigatória da sua atividade como deputado, mal estes indícios fortes se manifestem.

A lei prevê que tal só aconteça, após ser definitivamente acusado pelo Ministério Público.

Sendo ele um representante eleito do povo, este só fica protegido, se as instituições democráticas exercerem o controlo ativo sobre os seus representantes.

Seja como for, são situações diferentes e de gravidade sem paralelo.  

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