ELEIÇÕES AUTARQUICAS – ‘JÁ NÃO HÁ FESTA NAS ALDEIAS’
O momento sombrio que atravessa a
política portuguesa, não augura nada de bom, nos atos eleitorais que se
avizinham, começando, desde logo, pelas eleições autárquicas. A normalização e
desresponsabilização dos governantes pelos sucessivos casos graves, incluindo
mortes, que se vêm sucedendo no dia a dia dos portugueses, o discurso e práxis
do ódio, da violência, do preconceito, da xenofobia e do racismo, eleita política
de Estado, com mais ou menos acentuação; a perceção de que hoje, vale tudo,
pois nada acontece; a paralisia das instituições, com titulares de duvidosa
cultura democrática a serem os principais mentores do enfraquecimento dessas
mesmas instituições, permitindo o «esgoto a céu aberto» das ideologias de
carácter fascista cada vez com mais repercussão na sociedade portuguesa. Cuidar
da democracia é um dever de cada um de nós. Nunca nada esteve garantido e hoje
está de novo ameaçado. Valores e princípios de um Estado de Direito
Democrático, são hoje postos em causa com uma frequência e facilidade,
alucinantes. O Estado Social, encontra-se em ‘demolição’ efetiva, pelos
neoliberais que impulsionam avanço da extrema-direita, com quem estão de mãos
dadas.
A sociedade está refém dos ‘cabos
de esquadra’ das falanges de extrema-direita que se infiltraram na política
portuguesa e que hoje concorrem em todas as frentes para alcançarem lugares de
poder. Esta ‘mancha de óleo’ que vai poluindo a política portuguesa não tem
antídotos à altura e ameaça contaminar a sociedade em toda a sua extensão.
Vivemos o pior período de
fraqueza política, após o 25 de Abril de 74. A delinquência subiu ao poder.
Ninguém se afirma pelos seus valores democráticos. Estes são secundários,
perante a ‘nova ordem nacional’. Delinquência, mais ou menos, reprimida, mas
sempre apadrinhada e protegida pelos dinheiros públicos, que a sustentam.
Terá de haver um ‘sobressalto cívico’.
É impensável deixar que o desastre aconteça.
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