O AMORFISMO E A DEGRADAÇÃO PROGRESSIVA DO ESTADO SOCIAL EM PORTUGAL
A instabilidade política dos
últimos anos, assente na judicialização da política e na permanente suspeição
dos líderes e dos seus correligionários, em matéria de corrupção e não só,
desviou a atenção da sociedade para os seus problemas reais e permitiu o
aparecimento e desenvolvimento de forças políticas contrárias à democracia e ao
Estado social.
A ausência de organização e
clareza nas instituições e na vida social, acentuou um desinteresse cívico e
político que afetou a mobilização social e a participação ativa dos cidadãos. A
evidente desconexão entre as instituições e as necessidades da população, trouxe
definhamento do Estado social, com a diminuição da qualidade e da
acessibilidade aos serviços de saúde, educação e assistência social.
Houve um aumento das disparidades
sociais e económicas, afetando os grupos mais vulneráveis. O governo atual mostra
muitas dificuldade em implementar políticas eficazes que respondam às
necessidades da população. Pelo contrário, A sua política, em ziguezague, é
fonte de depauperamento do Estado Social.
O amorfismo, por outro lado, tem
levado à deslegitimação do Estado social, visto como ineficaz ou irrelevante. A
falta de estrutura tem resultado na erosão dos direitos sociais, como o acesso
à saúde e à educação. O desinteresse e a apatia têm levado à falta de
mobilização para defender e promover o Estado social.
É fundamental que a sociedade
civil e as instituições se mobilizem para combater o amorfismo e revitalizar o
Estado social. É necessário promover a participação cívica e o compromisso
político é crucial para reverter a tendência de definhamento. É necessário
repensar e reestruturar as instituições para que possam responder efetivamente
às necessidades da sociedade.
O amorfismo representa um desafio
significativo para a sociedade portuguesa e para a sustentabilidade do Estado social.
A conscientização e a ação coletiva são essenciais para garantir que os
direitos sociais sejam preservados e que a coesão social seja fortalecida.
A essência da democracia prospera
no equilíbrio triangular entre o Estado social, a justiça social e os direitos
no território. Este triângulo indivisível constitui a base sólida para a
construção de sociedades justas, robustas, inclusivas e prósperas. Para que
isto aconteça, é necessário que a sociedade civil, não ‘adormeça’, pois no seu
seio há quem priorize os interesses do mercado, desvirtuando este modelo,
ampliando as desigualdades e ferindo os direitos fundamentais.
O que está a acontecer na saúde,
na educação, no trabalho, na justiça, etc., é o resultado de uma certa apatia
que se abateu sobre a sociedade portuguesa. Ou se põe travão aos desmandos, ou
ficaremos mais pobre do que estamos.
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