PORTUGAL SEM LABORINHO LÚCIO TORNA-SE MAIS TENEBROSO
Com o silêncio próprio dos
cobardes e medíocres o pais das instituições quedou-se numa envergonhada mensagem
de sentimentos fúnebres, considerando cumprida a sua obrigação. O povo, em
geral, que não teve acesso à sua obra, recebeu dele o cuidado e atenção numa dimensão
pública e cívica que não há paralelo.
A “estrutura humanista e moral”
na obra e no pensamento de Laborinho Lúcio (jurista, magistrado e escritor
português) é um dos eixos centrais da sua visão do direito, da justiça e da
sociedade. Ele propõe uma abordagem que coloca a pessoa humana e a ética no
centro da vida jurídica e política, contrapondo-se ao tecnicismo frio e à
burocratização da justiça.
A moral em Laborinho Lúcio não é
apenas uma questão privada, mas uma dimensão pública e cívica. O juiz, o
advogado, o cidadão — todos têm uma responsabilidade moral na construção da
justiça. O direito é inseparável da ética do cuidado, da solidariedade e do
respeito pela dignidade humana.
Laborinho Lúcio propõe um modelo
de justiça dialogante, que privilegia a compreensão e a reconciliação sobre o
castigo. Há nele uma influência personalista (próxima de Emmanuel Mounier e do
humanismo cristão): o ser humano é visto como um ser relacional, cuja dignidade
se realiza na convivência.
Por outro lado, Laborinho Lúcio
vê a educação e a cidadania como partes da estrutura moral da sociedade: A
justiça é inseparável da educação para a cidadania, da formação de consciência
moral e do respeito pelos outros. Ele alerta que sem formação humanista, o
direito se torna violento e autorreferencial. Ele valoriza a narrativa, a
literatura e o diálogo como meios de humanização do pensamento jurídico
(exemplo: os seus textos literários como O Chamador ou A Justiça e os Seus
Rostos).
No Portugal dos pequeninos de agora, em que pontificam os Marcelos,
Montenegros, Aguiar Brancos, Amadeus Guerra, Marques Mendes e outros que tais,
o Juiz Conselheiro Álvaro Laborinho Lúcio, agora falecido, tem, por direito próprio,
um lugar no Olimpo `terra` de Deuses.
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