Só num Estado de Direito Democrático, são explicáveis as declarações de estados de exceção e muito mais quando se está perante uma crise muito grave de saúde pública e se percebe que a sua contenção passa por restrições de alguns direitos individuais. Afinal, só serão admissíveis restrições aos direitos individuais quando as mesmas servirem para proteger bens maiores, como são os direitos de todos à saúde.
No conflito
entre o direito individual e o coletivo à saúde pública, deve prevalecer o
dever (constitucional) do Estado de proteger a população.
Repito, esta
questão (colisão de direitos), só se põe em Estados de Direito Democráticos,
como é o português, na medida em que o exercício do poder público está
submetido a normas e procedimentos jurídicos que permitem ao cidadão acompanhar
e eventualmente contestar a legitimidade das decisões
tomadas pelas autoridades, o que significa que o exercício do poder baseia‑se na participação popular.
Em princípio
todos sabemos isto e uma esmagadora maioria de nós, entende que assim deve ser.
Porém, há uma minoria, que inclui alguns responsáveis das ordens profissionais,
que teimam em desvalorizar a pandemia e a pretender sobrepor direitos
individuais aos direitos de todos à saúde.
Afinal estes “negacionistas”
que se apresentam como guardiões das liberdades individuais, são os mesmos que
recusam a participação “excessiva” do Estado, na resolução dos problemas de
saúde pública, com que o país está confrontado. Também aqui, o mercado (de
saúde?), seria o competente para gerir a pandemia, como se depreende. Claro que
não é verdade.
É público que
se não fosse a existência do SNS, os portugueses estariam à sua sorte nesta
pandemia com resultados, absolutamente dramáticos. E, é um facto. Na primeira
fase da pandemia, não houve solidariedade dos serviços de saúde privada no
combate ao Covid-19.
É que Portugal,
no combate à pandemia, nem sequer é original. Aliás, no mundo, não há nenhum
país que tenha sido original nas medidas de combate ao vírus. Todos se acertam
pela mesma diapasão. Há exceções, claro, e essas são dos que negam a existência
do vírus. Líderes relutantes em adotar medidas para controlar a pandemia como Trump,
Bolsonaro, Boris Johnson e outros enfrentam agora um número recorde de afetados
pelo coronavírus. Esta atitude ostensiva de pôr em perigo a saúde publica
naqueles países, devia ser objeto de condenação internacional, pois o que eles
fizeram assemelha-se muito a genocídio.
Foram estes
líderes que inspiraram (e ainda hoje inspiram) esta minoria negacionista em Portugal.
Sorte a nossa, que um deles desaparecerá de cena brevemente.
Mas atenção, prevê-se
um agravamento significativo da situação epidemiológica no nosso país que pode
levar à rotura dos serviços públicos de saúde. Nessa altura, todos estes “Zandinga”,
vão estar de “faca afiada”, se tiverem a sorte de sobreviver à pandemia.
Acabo com
esta pérola de um Ricardo Arroja no Twitter: “Vou sair com a família e
aproveitar o domingo em liberdade. Enquanto o Governo não perde de vez o bom
senso. O poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente, e a
banalização do Estado de Emergência só serve para facilitar a vida ao Governo.
Recuso.”
Afinal, isto
da pandemia é uma questão de poder. Sim senhor…!
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