Hรก poucos dias o jornal “O Pรบblico”, trazia na sua primeira pรกgina uma declaraรงรฃo do presidente da regiรฃo autรณnoma da Madeira, verdadeiramente deplorรกvel. Nรฃo a vou reproduzir, pois nรฃo acrescenta nada de novo a nรฃo ser a demonstraรงรฃo inequรญvoca da precariedade da maioria dos polรญticos da direita portuguesa. ร confrangedor, francamente. Como รฉ possรญvel que os nossos critรฉrios de exigรชncia democrรกtica, nรฃo estejam ao nรญvel daqueles que lutaram por ter um Portugal livre, democrรกtico e verdadeiramente culto. Quarenta e seis anos depois do 25 de abril de 74 e nos pรณs crise do subprime e no meio da pandemia do Covid-19, Portugal e a sua direita e extrema direta รฉ uma cรขmara de horrores de baixรญssima qualidade. Os seus protagonistas sรฃo coristas e compรจres da pior espรฉcie que ร boleia de um simpรกtico e oportunista empresรกrio de teatro leva ร cena estas caricaturas, apenas para suporte do dรฉcor.
ร deprimente que nos dias de hoje
com tantos e tantos problemas para resolver o paรญs se veja cercado destes
trauliteiros pirotรฉcnicos que nada acrescentam ร resoluรงรฃo dos problemas apenas
alapando na desgraรงa das populaรงรตes que “governam”. Esta gente รฉ medรญocre, e
por isso passa pelos “pingos da chuva”. Quando se derem por eles, ou sรฃo arguidos
ou sรฃo corruptos nรฃo encarcerados. Nรฃo
hรก meio termo nesta gente.
A reboque destas criaturas, que a
democracia tolera e aceita, como parte do xadrez polรญtico-partidรกrio portuguรชs,
vรฃo germinando novos grupelhos de carater eminentemente protofascistas, que em
vez de atuar com a violรชncia explรญcita, optam por praticar micro-violรชncias nรฃo
assumidas. ร disso exemplo o รบltimo episรณdio de um bando de marginais de
extrema-direita que atentou contra deputados e ativistas, atravรฉs de e-mail e
de uma vigรญlia junto ร associaรงรฃo SOS Racismo, de mรกscaras brancas e tochas, em
atitude intimidatรณria e provocadora. Estes comportamentos criminosos beneficiam
da apatia das autoridades policiais e de alguns responsรกveis polรญticos, que a
coberto do “politicamente correto”, vรฃo alimentando estas ervas daninhas.
Vale a pena lembrar o que jรก em
1995, Humberto Eco, escrevia: “Contra o protofascismo, o nazismo, o racismo
e o terrorismo resta-nos mais que nos defendermos, rรกpida e eficazmente, desmascarรก-los,
desmantelar sua armaรงรฃo homicida e suicida, que pode aparecer em qualquer
momento e em qualquer parte do mundo. Nossa senha deve ser: "nรฃo esquecer,
resistir, denunciar e sobretudo apostar na VIDA, sempre!!!"
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