A POLÍTICA DO ‘DEUS MENOR’
Sempre
que é necessário engradecer a nossa história, o país é forçado a experimentar períodos
de ‘interregno’, vazio que desconsidera o povo na sua generalidade, as suas necessidades,
angústias e tragédias. Assim aconteceu e se repete quando os falidos ideológicos,
sobem ao poder.
Marcelo,
o presidente, em 2023, com o maquiavelismo que lhe é endógeno, decidiu romper
uma regra da democracia representativa, constitucionalmente consagrada, que
atribui à maioria o poder de governar. Nessa altura, havia uma maioria absoluta
sufragada nas eleições legislativas de janeiro de 2022. Por um episodio
desconhecido até hoje, Antonio Costa pede a demissão. O seu nome foi “citado”
numas investigações, então a correr. Marcelo aceita o pedido e entende que é de
devolver ao povo a palavra em novas eleições. Para Marcelo, a maioria absoluta tinha
‘morrido’ com a demissão de Costa. No seu parecer a maioria absoluta de 2022
era de Costa e não do PS, tese que não tinha nem tem qualquer amparo
constitucional e muito menos político. Porque o fez. A razão, aparece aos olhos
de todos de fácil leitura. Marcelo, queria cumprir o sonho de Sá Carneiro. Uma
maioria, um Governo e um Presidente. Mas ao lado deste desejo, havia outro,
uma espécie de ‘vingança’ de Abril de 1974. Marcelo, nunca perdoou aqueles que
ousaram pôr termo á ditadura. Marcelo, um pródigo da ‘Primavera Marcelista’, esperava
que o curso da história nos mantivesse nesse rumo. Nunca aceitou que os seus
estivessem tanto tempo afastados do poder. Os governos de esquerda, estavam a
minar-lhe os seus alicerces. Em 2023, já com um partido de extrema-direita a
crescer, Marcelo viu aí uma oportunidade de ligar o passado ao futuro. E assim
aconteceu. Em pouco mais de dois anos, introduzimos na nossa governação, o preconceito,
a xenofobia, o racismo, a intolerância e a perseguição. Abandonámos o Estado
Social, desprezamos a vida humana, e implementamos a irresponsabilidade política
dos governantes. Sendo Marcelo um populista e conhecido assistencialista, será
que quis tanto em tão pouco tempo? Este é o drama de quem se assume capaz de
ocupar um lugar na história, mesmo sabendo ou não podendo desconhecer que o seu
contributo, ficará em nota de rodapé, por provir de um ‘deus menor’.