Poema do Pontal
brilham sobre corpos e sonhos em véu.
Os risos são altos, os copos transbordam,
e nos salões do poder, as consciências se escondem.
Embriagados de vinho e de vaidade,
celebram a própria indiferença, a crueldade.
Enquanto a cidade dorme em desalinho,
eles brindam à dor, ao medo, ao caminho.
Choram crianças, silencia o trabalhador,
mas no brilho das tochas, há só fervor.
O festim continua, e a humanidade se despedaça,
no rastro dos fogos, a tragédia passa.
No Pontal, o céu e a terra se encontram,
mas só o poder parece se importar com o que despontam.
E nós, espectros de um mundo descuidado,
vemos a festa, e choramos calados.
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