LUTO GESTACIONAL – A PERDA DE UM DIREITO CIVILIZACIONAL
O governo anterior à AD, fez a integração
de um direito específico de luto gestacional na legislação portuguesa, garantindo
que as pessoas que passam por essa perda tenham a possibilidade de se recuperar
adequadamente antes de retomar as suas atividades profissionais. Isso não
apenas trouxe um benefício direto para o trabalhador, mas também mostrou um
compromisso com a saúde mental e o bem-estar no ambiente laboral.
O governo atual da AD, nas suas
propostas de revisão da legislação laboral, propõe-se acabar com este direito.
Para o atual governo, o luto gestacional deixa de ser um facto relevante para a
atribuição imediata do direito a faltar por três dias sem perda de direitos.
Passa a pender sobre os pais enlutados a avaliação médica da relevância da
perda de um filho para atribuição do regime de faltas já existente para
assistência a membro do agregado familiar. Não fosse grave, seria cómico:
alargam não os dias, mas o âmbito do regime de faltas para assistência a
família pela perda desse mesmo familiar.
Ou seja, perante um fato
relevante, merecedor de toda a dignidade institucional, o governo atual propõe
a substituição por uma ficção (a avaliação médica da relevância da perda de um
filho), com recurso a atestado médico.
Ora, o luto gestacional não é uma
questão ideológica, mas sim um direito reconhecido por lei que visa amparar
pais que sofrem a perda de um filho durante a gestação. O reconhecimento do
luto gestacional como um direito visa oferecer suporte emocional e prático aos
pais enlutados, permitindo-lhes lidar com a dor e o processo de luto, sem
prejuízo financeiro ou profissional.
O luto gestacional refere-se à
dor e ao sofrimento vivenciado pelos pais após a perda de um filho durante a
gravidez, seja por aborto espontâneo, morte fetal ou outras complicações. Essa
perda pode gerar um impacto emocional profundo, e o reconhecimento legal do
luto gestacional busca oferecer um período de descanso e apoio para que os pais
possam lidar com a situação de forma mais adequada.
O luto gestacional é uma questão
de direitos humanos e sociais.
O luto gestacional é um direito
reconhecido, não uma questão ideológica.
A retirada desse direito é um
retrocesso civilizacional.
Nenhum comentário:
Postar um comentário