A minha irmã Maria João
Morreu, repentinamente, no
passado dia 17 de marlo de 2025, a minha irmã João.
Estive este tempo todo ‘bloqueado’,
sem reação. Paralisei. A última coisa que queria era confrontar-me com a
realidade. Ainda hoje, me custa. A Maria João, tinha muito da Mãe, guardava
para si o que entendia não ser de partilhar. Mesmo com os irmãos ou familia.
Sempre muito preocupada connosco, reservava para si o que acontecia consigo.
Generosa, bastante, era uma irmã dedicada, uma mãe muito presente e uma avó no
activo, na verdadeira aceção da palavra. Tristeza profunda!
Na nossa idade (ela tinha mais um
ano, que eu), começa a desaparecer a ideia de ‘imortalidade’ e a nossa
humanidade vai-nos dando sinais de que o tempo é desgaste. A João, tinha essa
presença de uma humanidade vivida aparentemente sem grande desgaste. Tendo
passado, pelo que passou. Era uma heroina, como a Mãe, e como tantas espalhadas
pelo nosso país. São pessoas que nascem com esse dom, de estar permaentemente
solidarios com os outros. Era o esteio firme da nossa familia, após a partida
dos nossos dois irmãos e da nossa Mãe. Diariamente, ou quase, nos contactava
pessoalmente ou pelo telefone, sempre com uma palavra de preocupação. A saúde,
essa pecha, que a perseguiu em silêncio e a vitimou.
Já não aguentava mais este
silêncio pela minha Irmã João. Escrevo-lhe, porque esta escrita era-lhe devida.
Estarei sempre eternamente grato
à minha irmã Maria João pelo amor, o carinho e a amizade que sempre nos dedicou
e que era reciproco.
Estejas onde estiveres, que te reservem
a paz e o sossego que mereces
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