10 DE JUNHO - O DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS
Entre outras coisas, será um espaço de crítica actual de factos (ou fatos) e acontecimentos que ocorrem e sucedem no nosso país e que potenciam o nosso crescente "direito à indignação". Será também, um espaço de opinião livre, mas responsável, sobre temas diversos. Sevla
terça-feira, 10 de junho de 2025
domingo, 8 de junho de 2025
‘O ESGOTADO’
Tropecei neste título, através de
um escrito de Pedro Mexia, no Expresso de ontem, e pensei, que coisa mais
apropriada, para a atual situação do Presidente da República, Marcelo Rebelo de
Sousa. “O Esgotado”. Não é pela cena da feira do livro, com a cidadã "apescoçada"
por Marcelo, que à viva força queria dar a sua opinião sobre o tema dos protestos
da cidadã. Este é um episódio recorrente que, como alguém dizia, inscreve-se na
necessidade quase doentia de Marcelo de querer ser aceite por todos. Respeitar
o espaço dos outros é algo que Marcelo nunca entendeu, muito menos na cadeira
que ocupa. Foram quase dez anos de desperdício presidencial e de contributos medíocres,
quer para a democracia portuguesa, quer para o seu desenvolvimento político e
social. Nem na vertente externa, Marcelo deu um contributo significativo, para o
posicionamento de Portugal no contexto das nações. Populista «bacoco», foi
gastando energias na criação de condições adversas ao 25 de Abril, escusando-se
a praticar a democracia constitucional, abrindo caminho aos seus pares, sem
consideração pela vontade do povo expressa maioritariamente nas urnas. Dos já
oito anos de mandato, três foram gastos em dissoluções do parlamento e em
governos minoritários. Aqui chegados, Marcelo não se rendeu. Esgotou-se.
Há uns anos, para situações idênticas
hás de Marcelo, pedia-se que ‘terminasse o mandato com dignidade’. Hoje, o cansaço
e o desinteresse popular é de tal ordem, que toda a gente, literalmente,
está-se nas tintas para a forma como Marcelo termina o seu mandato. Até o seu séquito,
evita expressar-se. Todos estão cansados. Dir-se-á que Marcelo percebeu isso e
durante o primeiro semestre de 2025, quase não se mostrou nem se fez ouvir.
Aparentemente verdadeiro, com custos para o normal funcionamento das
instituições democráticas que, estando órfão da instituição presidencial, viu
acentuar-se a degradação das restantes instituições, com destaque para a Assembleia
da República, Governo e Tribunais. Ganhou o populismo partidário e as fórmulas antidemocráticas.
É confrangedor assistir ao
definhamento de um político que percorreu todo o estado democrático sem que se
possa apontar um contributo decisivo para o seu desenvolvimento e termine ‘Esgotado’,
«por não fazer nada».
quinta-feira, 5 de junho de 2025
‘ROUPA VELHA’
São inúmeros os significados de
‘roupa velha’, sendo o mais apreciado aquele que resulta de uma receita
tradicional do Minho, típica do Natal, feita com as sobras de bacalhau da Noite
de Consoada, sendo tradição comer roupa velha ao almoço do dia de Natal, antes
de servir o prato de carne.
Originalmente uma prática
associada a famílias pobres (devido ao aproveitamento dos restos do jantar
anterior), passou à condição de tradição geral de muitas famílias portuguesas,
especialmente, minhotas.
A origem do nome deste prato
deve-se ao seu aspeto quando é servido, em que os alimentos se envolvem uns nos
outros, cortados em pedaços
É, pois, destas ‘sobras’, que é
feito o novo governo de Portugal, liderado e anunciado pelo reconduzido
primeiro-ministro Luís Montenegro.
Na política, ao contrário da
culinária, a ‘roupa velha’ tem o significado de já gasto ou muito usado. Este
‘novo’ governo, a ser empossado, é uma governo já gasto, que irá reutilizar ou
reciclar políticas em desuso. Será com estas ‘sobras’, que o ‘novo’ governo
pretenderá dar uma nova vida à ‘politica velha’, fazendo ‘politica nova’ a
partir dela (upcycling). Fracasso, adivinhado.
Mas este não é o único sinal
negativo dos tempos atuais. Todas as restantes instituições, são, hoje, ‘roupa
velha’. Presidência da República, Presidência da Assembleia da República e
Governo, são atualmente ‘sobras’ fornecidas por um eleitorado descontente com a
política. Não é ‘bacalhau’. É Paloco do Pacifico ou Escamudo do Alasca (𝘞𝘪𝘬𝘪𝘱é𝘥𝘪𝘢)
Reponha-se, o quanto antes, a 𝘵𝘳𝘢𝘥𝘪çã𝘰.
sábado, 31 de maio de 2025
𝐕𝐞𝐧𝐜𝐞𝐫 𝐚 𝐃𝐞𝐦𝐨𝐜𝐫𝐚𝐜𝐢𝐚 𝐩𝐞𝐥𝐨 𝐂𝐚𝐧𝐬𝐚𝐜̧𝐨 – 𝐎 𝐭𝐫𝐢𝐬𝐭𝐞 𝐞𝐱𝐞𝐦𝐩𝐥𝐨 𝐩𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐮ês
Com o maquiavelismo que se lhe conhece, Marcelo Rebelo de Sousa, no lugar que ocupa, conseguiu descaracterizar o regime democrático e levar ao cansaço, desânimo e resignação do povo português, após as sucessivas ‘paragens’ da democracia e as intermináveis eleições antecipadas, como fonte de descrédito, calculado e pensado, para os objetivos inconfessáveis de enfraquecimento do regime democrático e ressurgimento das vias autoritárias e populistas de onde emergiu. Objetivos conseguidos.
O autoritarismo avança não por superioridade ideológica, mas pela ‘exaustão dos cidadãos’, perante conflitos incessantes, polarização e ineficiência governamental. Agressores políticos exploram a fadiga social para impor agendas, enquanto democratas buscam conciliação, muitas vezes cedendo por esgotamento. Este é um fenómeno global, observado em muitos países, incluindo europeus, onde as instituições democráticas foram "capturadas" gradualmente, transformando incredulidade inicial em resignação. Pandemias, recessões e instabilidade social, amplificam a vulnerabilidade ao discurso simplista, enquanto cidadãos sobrecarregados buscam soluções imediatas.
PS e PSD, usando a ‘tática do
espantalho’ alimentaram o 𝐶ℎ𝑒𝑔𝑎
para fragmentar rivais, replicando a estratégia de Mitterrand com a Frente
Nacional em França. Resultado: Ventura saltou de 48 para 58 deputados (2025),
normalizando discursos xenófobos e punitivistas. A cobertura sensacionalista de
escândalos e a ‘banalização do extremo’ saturaram a opinião pública, gerando
apatia ou adesão a "soluções simples".
Acentua-se a crise existencial do Estado, pela mediocridade dos seus responsáveis políticos, a que acresce uma burocracia asfixiante, uma justiça lenta e serviços públicos em colapso (saúde, transportes), que geram frustração diária. Portugal ocupa a 45ª posição em eficiência laboral (IMD Competitiveness Ranking). As oscilações ideológicas em políticas essenciais (habitação, energia) criam insegurança jurídica.
Há que, rapidamente, reconstruir a confiança, apostando em lideranças "sóbrias", como propõe Pierre Rosanvallon, em resposta ao autoritário "bêbado de poder", o que exige firmeza sem agressividade. Há que valorizar o diálogo institucional, escolhendo o Parlamento como espaço de mediação, não palco de guerras performativas. Há que pugnar pela defesa cultural da democracia, usando a memória como antídoto. Relembrar que em 1974, o “25 de Abril é liberdade" (contra a ditadura) o que contrasta com discursos ocos atuais. Sem essa consciência histórica, o populismo prospera. Fomentar o ‘ócio criativo’ (Stevenson) e a arte como resistência ao cansaço produtivista que esvazia a ação política.
Portugal sintetiza o risco mortal das democracias tardias. A convulsão entre o ‘cansaço das promessas não cumpridas’ e a sedução do atalho autoritário. O país não está só – Hungria, Brasil e EUA, entre outros, compartilham esta encruzilhada –, mas a sua queda seria trágica por ser previsível. Como alerta Sant'Anna, “𝑎 𝑑𝑒𝑚𝑜𝑐𝑟𝑎𝑐𝑖𝑎 𝑡𝑒𝑚 𝑓𝑟𝑎𝑔𝑖𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑖𝑛𝑡𝑟𝑖́𝑛𝑠𝑒𝑐𝑎: 𝑒𝑙𝑎 𝑒́ 𝑓𝑒𝑖𝑡𝑎 𝑑𝑒 𝑙𝑖𝑚𝑖𝑡𝑒𝑠”. Sua defesa exige mais que instituições: requer cidadãos incansáveis.
segunda-feira, 26 de maio de 2025
O Senhor Procurador-Geral da República (PGR), da era Montenegro, inaugurou uma nova perspectiva investigatória, aos políticos, sob rumores ou suspeitas, provenientes de denuncias anônimas, não os submetendo a inquérito crime, mas antes, passando pelo crivo da chamada “Averiguação Preventiva”, fase em que não há arguidos. Foi, sobre ‘brasas’, no caso Montenegro/Spinumviva, que o ‘corajoso’ PGR inaugurou esta nova ferramenta investigatória sob o primeiro-ministro demissionário, deixando a recato o mais que pôde, o candidato à reeleição (o que veio a acontecer). Porém, para que o processo fosse equitativo, abriu também uma “averiguação preventiva”, ao então líder do PS, Pedro Nuno Santos (PNS), sobre a compra de dois imóveis, um em Lisboa e outro em Montemor-o-Novo. Até aqui, como diria o outro, perfeito. Como disse, PNS, “As denúncias são anónimas, mas a verdade é pública”. Então, qual a diferença? A diferença, que é muita, está no facto de, desde novembro 2023, uma investigação da revista “Sábado” levantou suspeitas sobre a origem dos fundos utilizados por PNS, para adquirir os dois imóveis. Essas suspeitas incluíam inconsistências nas declarações sobre o pagamento de um crédito bancário de 450 mil euros e a relação entre a compra do terreno em Montemor-o-Novo e a localização do novo aeroporto de Lisboa. Pois foi exatamente com base nestas suspeitas que, repito, datam de novembro de 2023, o MP, em abril de 2025, abriu uma ‘averiguação preventiva’, com o objetivo de verificar indícios de crimes como corrupção ou uso indevido de fundos públicos. Porém, perdidas as eleições legislativas, realizadas a 18 de maio de 2025, pelo ex-líder do PS, em 25 de maio de 2025, o MP anunciou que a averiguação seria “arquivada’, considerando os esclarecimentos de Pedro Nuno Santos satisfatórios e sem indícios suficientes para abrir um inquérito criminal. Tudo se torna mais fácil, quando o caminho é limpo, previamente.
Agora é deixar ‘apodrecer’ as
‘averiguações preventivas’ em curso, tal como as insinuações criminais que
retêm o Presidente do Conselho Europeu. Ambas, já não fazem ‘mossa’.
Sou do tempo em que alguns fumadores, fumavam cigarros da marca ‘Provisórios’ e outros da marca ‘Definitivos’. Os primeiros, convenciam-se que era fácil deixar o vício. Já os segundos vincavam o seu apego ao vício, Não sei a que propósito me lembrei disto agora!
sábado, 24 de maio de 2025
PORTUGAL NA ENCRUZILHADA DA
HISTÓRIA - PARTE II
Escrevi aqui, em 15 de maio passado, portanto antes das eleições, que
Nem duas semanas passaram e as
forças mais antidemocráticas do espetro politico português, vencedoras das
eleições, conjuntamente com os neoliberais de pacotilha, propõem revisões
constitucionais que vão desde, a revisão do preambulo da Constituição, há redução
do numero de deputados, á instauração da prisão perpétua, a castração química, à
revisão do estatuto do SNS e do Estado Social, com especial destaque para as
prestações sociais, à imigração, ao preconceito, enfim à descaracterização do
regime democrático saído do 25 de Abril de 1974.
Portugal enfrenta hoje um cenário político complexo e inédito após as eleições legislativas de 18 de maio de 2025, marcadas pelo crescimento da extrema-direita, o declínio histórico da esquerda e a persistência de um Parlamento fragmentado. Este momento representa um ponto de viragem na democracia portuguesa, com implicações profundas para a governabilidade e o equilíbrio de poder.
Pela primeira vez, PS e PSD (integrado na AD) não detêm dois terços do Parlamento, sinalizando o colapso do sistema bipartidário que dominou Portugal desde 1974. A ascensão do Chega, que quintuplicou sua representação desde 2019, reflete, o descontentamento com a imigração e a economia: O partido capitalizou frustrações com políticas de imigração, custo de vida e corrupção, usando retórica anti-establishment e alinhada ao trumpismo. Eleitores no sul do país, outrora fiéis à esquerda, migraram para o Chega, especialmente em regiões rurais e periféricas.
Avizinha-se instabilidade económica, com reformas estruturais, como a exploração de lítio e a privatização da TAP, podendo ser adiadas, comprometendo fundos da UE.
A normalização da extrema-direita,
desafia os valores democráticos, pressionando as políticas anti-imigração e
conservadoras, com sério risco de radicalização, uma vez que a fragmentação
partidária e a polarização vão alimentar discursos populistas, como visto no
aumento de «fake news» durante a campanha
Em suma, Portugal enfrenta um dilema entre a “continuidade de um governo frágil” e a “tentação de soluções autoritárias”. A incapacidade das esquerdas em se unir e a rejeição da AD ao Chega deixam o país numa encruzilhada histórica, onde o diálogo e o pragmatismo serão essenciais para evitar o colapso institucional. Como observado por alguns analistas, "o sistema político português saiu destas eleições destroçado" – e sua reconstrução exigirá mais do que promessas eleitorais.
Um Novo Capítulo se abre na Democracia Portuguesa
sábado, 17 de maio de 2025
MORREU ‘PEPE’ MUJICA, UM SÍMBOLO DE HUMANIDADE
Nesta última terça-feira (13/05), morreu José Alberto Mujica
Cordano, conhecido popularmente como “Pepe” Mujica, ex-presidente do Uruguai,
aos 89 anos.
"Pepe" Mujica,
conhecido carinhosamente como "o presidente mais humilde do mundo", é
uma figura emblemática de liderança e humanidade. Nascido em 20 de maio de
1935, em Montevidéu, Uruguai, Mujica viveu uma vida marcada por desafios, resiliência
e um profundo comprometimento com a justiça social.
Mujica tornou-se um símbolo de
humanidade não apenas pelas suas políticas, mas pelo seu discurso e exemplo de
vida. Frequentemente, ele discursava sobre a importância da sobriedade,
criticando o consumismo desenfreado e destacando a necessidade de os líderes
políticos estarem próximos dos cidadãos comuns. A sua postura ética e o seu
modo de vida austero inspiraram milhões à volta do mundo, reforçando valores de
solidariedade, humildade e compromisso com a justiça social.
Após deixar a presidência, Mujica
continuou a ser uma voz ativa em prol dos direitos humanos e da igualdade,
mantendo a sua relevância no cenário internacional como um exemplo de liderança
que prioriza o bem-estar coletivo sobre os interesses pessoais ou de poder. “Pepe”
Mujica, com a sua trajetória única, não é apenas uma figura da política
uruguaia, mas sim um verdadeiro símbolo de humanidade contemporânea.
A sua morte é uma perda
irreparável