segunda-feira, 14 de setembro de 2026

As moças de Netanyahu e o “Coito do Morgado”

A irreverente poetisa e social-democrata Natália Correia, brilho da nossa cultura e ativista da nossa democracia saída do 25 de abril de 1974, fez um dia um poema, com o título sugestivo de “Truca-truca”, que rezava assim:

                                             ‘O Truca- Truca’

                                             “Já que o coito – diz Morgado –

Tem como fim cristalino,

Preciso e imaculado

Fazer menina ou menino;

e cada vez que o varão

sexual petisco manduca,

temos na procriação

prova de que houve truca-truca.

Sendo pai de um só rebento, lógica é a conclusão

De que viril instrumento

só usou – parca ração! -

uma vez. E se a função

faz o órgão – diz o ditado –

consumada essa excepção, 

ficou capado o Morgado.”

 

Este poema de Natália Correia, foi escrito durante o primeiro debate parlamentar sobre a interrupção voluntária da gravidez em que o deputado do CDS, João Morgado, afirmou que “o acto sexual é para fazer filhos”.

Aos dias de hoje, as “moças de Netanyahu” seguem a escola do Morgado de oposição total à interrupção voluntária da gravidez (IVG), manifestando publicamente a proibição do aborto "em qualquer circunstância", incluindo em casos de violação. Na versão atual, o poema para estas ‘moças’, bem poderia ser este:

 

O Truca-Truca das Moças

Lá vêm as moças de trela,
Com a cartilha na mão,
Vigiar a passarela
Onde há truca e truca não!

Diz a douta paladina,
Que do ventre faz altar:
Se há violência ou rotina,
O negócio é aguentar!

Fecha a perna, ó desgraçada,
Se o varão te fez a afronta,
Pois a pátria, hormonada,
Quer bebés a toda a conta!

O prazer é uma loucura,
O coito é obrigação,
E o decreto da censura
Mete o bedelho no colchão.

Ó seguidoras da escola
Desse Morgado capado:
Quem no sexo só vê mola
Anda um bocado enganado!

Vão pregar para outra freguesia,
Guardas da cama alheia,
Que a nossa anatomia
Não se rende à vossa teia!

 As ‘moças de Netanyahu’ demonstram uma profunda incoerência humanitária nas suas posições. Existe um duplo critério moral quando advogam a defesa intransigente e absoluta da vida humana (desde a conceção e contra o aborto) ao mesmo tempo que coincidem com o alinhamento, a justificação ou a desvalorização de ações militares que resultam na perda massiva de vidas civis inocentes — incluindo milhares de crianças, bebés e idosos em Gaza.

É caso para dizer que nem o coito as salva!

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