As moças de Netanyahu
e o “Coito do Morgado”
A irreverente poetisa e social-democrata Natália Correia, brilho da nossa cultura e ativista da nossa democracia saída do 25 de abril de 1974, fez um dia um poema, com o título sugestivo de “Truca-truca”, que rezava assim:
‘O Truca- Truca’
“Já que o coito – diz Morgado –
Tem
como fim cristalino,
Preciso
e imaculado
Fazer
menina ou menino;
e
cada vez que o varão
sexual
petisco manduca,
temos
na procriação
prova
de que houve truca-truca.
Sendo
pai de um só rebento, lógica é a conclusão
De
que viril instrumento
só
usou – parca ração! -
uma
vez. E se a função
faz
o órgão – diz o ditado –
consumada
essa excepção,
ficou
capado o Morgado.”
Este
poema de Natália Correia, foi escrito durante o primeiro debate parlamentar
sobre a interrupção voluntária da gravidez em que o deputado do CDS, João Morgado, afirmou que “o acto
sexual é para fazer filhos”.
Aos
dias de hoje, as “moças de Netanyahu” seguem a escola do Morgado de oposição
total à interrupção voluntária da gravidez (IVG), manifestando publicamente a
proibição do aborto "em qualquer circunstância", incluindo em
casos de violação. Na versão atual, o poema para estas ‘moças’, bem poderia ser
este:
O Truca-Truca das Moças
Lá vêm as moças de trela,
Com a cartilha na mão,
Vigiar a passarela
Onde há truca e truca não!
Diz a douta paladina,
Que do ventre faz altar:
Se há violência ou rotina,
O negócio é aguentar!
Fecha a perna, ó desgraçada,
Se o varão te fez a afronta,
Pois a pátria, hormonada,
Quer bebés a toda a conta!
O prazer é uma loucura,
O coito é obrigação,
E o decreto da censura
Mete o bedelho no colchão.
Ó seguidoras da escola
Desse Morgado capado:
Quem no sexo só vê mola
Anda um bocado enganado!
Vão pregar para outra freguesia,
Guardas da cama alheia,
Que a nossa anatomia
Não se rende à vossa teia!
É caso para dizer que nem o coito as salva!
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