terça-feira, 14 de julho de 2026

 OLHÁ MALA?!

André Ventura (AV) andou a vasculhar o gabinete da Iniciativa Liberal (IL) na Assembleia da República, sem autorização e consentimento dos próprios e filmou o interior. As notícias, não dizem se este gesto de AV se generalizou pelos restantes espaços reservados aos partidos no Parlamento. A dúvida, mantem-se.

Para o presidente da AR, “A alegada entrada não autorizada num espaço reservado ao Grupo Parlamentar da Iniciativa Liberal, acompanhada da captação e divulgação de imagens no seu interior, bem como a instrumentalização dessas imagens para sustentar e divulgar a ideia de que os deputados dos grupos parlamentares visados estariam em incumprimento das respetivas funções, justificam a abertura de um inquérito pela Comissão Parlamentar de Transparência e Estatuto dos Deputados, no âmbito das competências que o (…) Estatuto dos Deputados lhe confere”,

Esta é, claro, a «cortina de fumo». Suspeitamos, no entanto, que os ilícitos possam ser outros dados os antecedentes naquele partido e, curiosamente, também na Assembleia da República.

A apropriação ilícita é da matriz fundacional daquele partido. Desde a sua fundação que os episódios de apropriação ilícita se sucedem em parceria (certamente, não autorizada) com a “Vinted”. 

Esta leveza do presidente do Chega a deambular pelos gabinetes dos outros partidos sem autorização e conhecimento dos mesmos, revela uma destreza e um perfil nada conducentes com a de um deputado da República e muito menos com a dignidade que a Assembleia da República representa para o país.

A ausência destes mínimos necessários à função de deputado, deveria exigir um controlo e escrutínio mais apurado destes eleitos da nação. No Chega é recorrente o uso da ilicitude em qualquer campo. Os parlamentares do Chega são, simultaneamente, deputados e delinquentes condenados por crimes de natureza pessoal ou patrimonial. Haverá exceções? Certamente, para que a regra se cumpra.

A aparente ausência de proteção do Estado de Direito Democrático, deve ser reforçada pela vigilância séria e eficaz das instituições democráticas e do seu regular funcionamento, sem esperar pelos períodos eleitorais, para que o povo corrija e puna as condutas dolosas e antidemocráticas.

Estes relatos da «casa da democracia» são preocupantes, não só pelos ilícitos praticados, mas, sobretudo, pelo que eles representam de fragilização do tecido democrático português.  

Em ultima análise, fiquem atentos às vossas malas.

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