Aos Meus Netos
Nenhuma IA desenhou a coragem da madrugada em que os tanques viraram flores, nem programou o tremor das vozes que, em segredo, trocaram versos de resistência enquanto o rádio anunciava “Grândola” como senha.
Não entende o cheiro da terra
molhada após décadas de seca,
nem o peso das chaves atiradas às
janelas quando o povo descobriu que as grades eram mentira.
o algoritmo não inventa abraços,
não tece a solidariedade das
ruas,
não ouve o silêncio quebrado por
uma canção.
A revolução foi um suspiro
humano,
um "até aqui" de gente
comum
que ousou trocar ordens por
perguntas.
lembrem-se:
as máquinas não choram
quando leem cartas de exílio,
nem sabem o sabor do pão
partido em abril.
E vocês, netos, são a prova viva de
que a liberdade não se atualiza em softwares — renasce, sempre, nas mãos que a
constroem.
Para que nunca confundam a fria
precisão das máquinas com o caos quente de sermos humanos.
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