LOBBYING À PORTUGUESA VS COMPADRIO
O atual quadro político nacional trouxe ao de cima, de novo, a pecha da teia de interesses que se instalou na vida política portuguesa e que durante anos e anos se promiscuiu com as atividades económicas, sociais, financeiras e culturais do nosso país.
As recentes eleições legislativas
e agora as próximas presidenciais têm mostrado um rasto de maligno dessa
intrusão conflituante entre interesses públicos e interesses privados, sempre
com o acento tónico nas vantagens adquiridas pelos políticos candidatos, ao
longo da sua carreira.
Na estatística da pobreza em
Portugal, esta também é uma forma de indigência que urge combater. Não podemos
aceitar que indivíduos que usando de vantagens ilícitas sejam hoje os
representantes do poder politico no nosso país. A democracia exigente é aquela
que impõe aos políticos uma certa reserva moral, ética e deontológica para o
exercício de cargos públicos. Não é saudável que os políticos que representam
Portugal sejam olhados de soslaio e desconfiança pelo seu passado de
«influencers» na traficância de vantagens e informações que geram a corrupção,
com chorudos lucros pessoais que passam incólumes, pelo crivo da democracia
vigilante.
Como se pode querer melhorar a vida do povo e do Estado Social, que o sustenta, se os recursos, que já são escassos, são desviados para fins pessoais e não distribuídos pela comunidade deles carecidos?
A teia de interesses instalada no nosso país é já de dimensão hereditária e vão buscar a sua “linhagem” aos partidos políticos.
Os partidos que dependem fortemente do financiamento público, como é o caso de Portugal, acabam por se tornar apenas mais um ramo do Estado, perdendo a sua capacidade de representar a sociedade o que se tem demonstrado altamente negativo e pernicioso.
Vemos, hoje, sair somas astronómicas do Estado para os partidos políticos com assento parlamentar, as quais são usadas, por alguns, para fins contrários ao próprio regime democrático e até para a sua destruição e/ou alteração. Faz sentido? Claro que não.
É neste contraditório e esvaziamento que a democracia se vai enfraquecendo e o desânimo se vai instalando na sociedade portuguesa.
Estão-se a cristalizar tempos difíceis com o abandono sistemático dos ideais de Abril, assentes num Estado Social de Direito Democrático, modelo de organização que combina os princípios do Estado de Direito, da Democracia e do Estado Social, este com a promoção do bem-estar, a qualidade de vida e a igualdade real dos cidadãos; a transformação das estruturas sociais e económicas para realizar os direitos ao trabalho, saúde, habitação e segurança social; a Proteção da Família, cabendo ao Estado promover a sua independência social e económica e apoiar a parentalidade e Proteção Ambiental, onde se inclui a defesa da natureza e do ambiente como uma tarefa fundamental do Estado.