O NANO PARTIDO CDS ENCABEÇA AS COMEMORAÇÕES DO 25 DE NOVEMBRO 1975
Um dos militares mais brilhantes
do 25 Abril de 1974 e chefe da ala militar que pôs fim à intentona desencadeada
em 25 de novembro de 1975, por radicais da extrema-esquerda, o General Ramalho
Eanes, disse um dia que o 25 de Novembro de 1975 não era para ser ‘comemorado,
mas sim para ser recordado’.
Avesso aos extremismos, o General
Ramalho Eanes, aliou-se ao grupo dos nove, assinando o chamado “Documento dos
Nove”, que foi um manifesto de resposta aos militares radicais, apresentado ao
presidente da República, general Costa Gomes, pelos militares favoráveis ao
estabelecimento de um regime político pluralista e à continuação dos trabalhos
da Assembleia Constituinte. O Documento dos Nove foi elaborado a 6 de agosto de
1975 pelos membros do Conselho da Revolução Vasco Lourenço, Canto e Castro,
Vítor Crespo, Costa Neves, Melo Antunes, Vítor Alves, Franco Charais, Pezarat
Correia e Sousa e Castro. O manifesto foi ainda assinado por Ramalho Eanes,
Garcia dos Santos, Costa Brás, Salgueiro Maia, Rocha Vieira, Fisher Lopes Pires
e outros membros destacados das Forças Armadas.
Será esta ala moderada, que, com
o "contragolpe" de 25 de novembro consagra o triunfo dos militares
que aceitavam os resultados eleitorais desse ano e a legitimidade da Assembleia
Constituinte, numa atitude manifestamente fundadora do novo regime democrático
em Portugal. O novo chefe do Estado-Maior do Exército, Ramalho Eanes, surgiu
como vencedor das operações militares do 25 de novembro de 1975.
Este pequeno introito, apenas
para dizer que o 25 de novembro de 1975, foi a reposição da linha moderada do
25 de Abril de 1974, que propugnava pelas eleições livres, pluralistas e democráticas,
em Portugal, tal como tinha sido anunciada na madrugada libertadora.
Só por desconhecimento da história
é que a extrema-direita neofascista, com o nano partido cds e o PSD da sua ala
mais radical de extrema-direita, podem querer celebrar o 25 de novembro de 1975,
como uma data ‘sua’, se o significado histórico da data é exatamente a luta
travada contra os extremismos. Como podem pensar (a não ser por ignorância,
claro) os extremistas da direita radical portuguesa, que encontram no 25 de
Abril de 1974 ou em qualquer outra data que se lhe seguiu, um ‘porto de abrigo’
para as suas pretensões revivalistas? Regressem ao 28 de Maio de 1926 ou ao 28
de Setembro 1974, aquele coroado de êxito que vos deixou posteriormente órfãos e
este que carrega o silêncio da cobardia e da culpa sobre a tentativa de
perpetuação da submissão do povo português aos ditames da ditadura.
O senhor ex-Presidente da
República, General Ramalho Eanes, sentirá alguma vergonha, por certo, ver o seu
legado de moderação e pluralismo democrática, ser associado a partidos
extremistas de direita, na comemoração de uma data de efetivo repúdio aos
extremismos.
Por isso, ouvir Nuno Melo, do
nano partido cds, em nome do governo de Portugal, declarar que irá ser criada
uma comissão para a comemoração do 50.º aniversário do 25 de novembro de 1975, na
mesma altura em que o país vive o drama dos incêndios, as populações perdem as
suas vidas e os seus haveres, o país está desorientado, o governo não existe,
as instituições estão moribundas, a irresponsabilidade está instalada, dá-se ênfase
às festas, comemorações ou jornadas
politico partidárias e lamenta-se os dramas diários da mesma forma que se
coloca uma flor no tumulo do soldado desconhecido, é simplesmente aterrador.
Que o desalento do povo, não cave
ainda mais fundo a vala do desespero e da desesperança, alimento preferido da
direita extremista e protofascista atualmente na orla do poder.