quinta-feira, 1 de agosto de 2019

“Faits divers”


À medida que alguns países importantes na cena europeia ou mundial se vão ridicularizando através dos líderes que escolhem, dando mostras que os povos estão a atingir um estado de negação politica nunca visto, caminhando para um abismo sem retorno e de consequências já mais previsíveis de guerras e catástrofes humanitárias, nós por cá, destapada a tampa, assistimos ao ressurgir de um neoliberalismo de pacotilha, ou seja, pessoas e/ou organizações que defendem um conjunto de ideias políticas e económicas capitalistas como, por exemplo, a não participação do estado na economia, liberdade total do comércio, para garantir o crescimento económico e o desenvolvimento social do país.

Estes arautos neoliberais afirmam que o estado é o principal responsável por anomalias no funcionamento do mercado livre, em virtude do seu peso e tamanho constrangerem os agentes económicos privados. Reclamam, por isso, a pouca intervenção do governo no mercado de trabalho, a política de privatização de empresas do Estado, a livre circulação de capitais internacionais, a globalização, a abertura da economia para a entrada de multinacionais, a adoção de medidas contra o protecionismo económico, a diminuição dos impostos e tributos excessivos etc.

No fundo, estes nossos neoliberais são saudosistas. São saudosistas da troika e do governo de Passos Coelho; são saudosistas da “pobreza regeneradora”, do assistencialismo, da venda ao desbarato de empresas públicas enfim, de um Portugal do passado.

A principal diferença entre os nossos neoliberais e os outros, é que os nossos pretendem manter uma reserva pública, para exercer o seu múnus. Eles querem continuar a ter empregos no sector público, nas empresas públicas, nos institutos públicos, nas empresas municipais, etc. São gente que defende (?) a pouco intervenção do governo no mercado de trabalho, mas sempre com a ideia de uma reserva pública de emprego, que lhes possa isentar do mercado privado de emprego, apesar de tudo sujeito ao escrutínio de alguma competência ou, se assim não for, de alguma utilidade.

O exemplo mais definitivo é o de Passos Coelho. Saído da política, onde fez carreira desde pequenino, buscou guarida no sector público de emprego, com a vantagem excecional, tipo “honoris causa”, de lhe ser dado um lugar equivalente a professor catedrático. É obra! Aqui, Rui Rio “passa-lhe a perna”. Quando fez um intervalo na política, foi trabalhar para uma empresa privada na área de gestão de recursos humanos. Fez jus à sua condição de social-democrata de raiz liberal na economia.

Outros há, como o historiador Rui Ramos, que defendem o aparecimento de uma “maioria reformista”, que liberte Portugal de uma nova “geringonça”. Este “reformador”, neoliberal de encarnação, sustenta-se no emprego público, para difundir as suas ideias e ganhar notoriedade para a acumulação de outras atividades, remuneradas, naturalmente.

Como alguém dizia, “Em Portugal, a direita afirma-se obsessivamente liberal apenas na cruzada contra o poder fiscal e a ação regulatória, ainda quando esta última visa garantir uma maior transparência e equilíbrio económico, social e ambiental. Ao revés, sempre foi em geral muito amiga do orçamento e do Estado quando estes apoiam interesses parasitários, distorcendo o mercado, por via de subsídios ou de outros instrumentos protecionistas, segundo o velho princípio — privatizem os benefícios e coletivizem os prejuízos.

Essa é que é essa…!

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