O ANO DA FAVA
O presidente da Autoridade
Nacional da Proteção Civil (ANPC), José Manuel Moura, disse, há poucos dias, que
"este ano calhou-nos a fava", referindo-se à tragédia dos
incêndios que assolaram o país. É evidente o mau gosto da metáfora, mas no
contexto da atual da governação do país, estamos com alguma sorte em a
‘bojarda’ não ser bem pior.
Este linguajar "nonsense",
equipara-se ao das autoridades políticas, seja na saúde, educação, justiça,
habitação, ordenamento do território, administração interna, trabalho,
primeiro-ministro, etc. São eles que dão o ‘mote’ à desvalorização do humano e
suas tragédias, e acentuam o carácter mercantilista e até assistencialista do
sucedido. ‘Lamenta-se’, dizem em tom governamental.
A forma como cada um trata o sofrimento das populações é aterrador. A
desumanidade intrínseca em cada um dos governantes é assustadora. É mais fácil
encontrar solidariedade no exterior do que no interior. As lamentações e
condolências soam a falso. O governo, é um governo de falsários, que confunde
direitos universais com subsidiodependência. Os que perderam as casas, ‘Lamenta-se’!
Os que têm filhos numa ambulância ou veículo descaracterizado, ‘Lamenta-se’! Os
que pretendem amamentar os seus filhos, ‘Lamenta-se’! Os que pretendem a
manutenção do posto de trabalho em segurança, ‘Lamenta-se’! O aumento das
propinas no ensino superior, porque este é um ‘privilégio’, ‘Lamenta-se’!
E porque este é o ‘ano da fava’,
com diz aquela iminência parda, fomos agora atingidos pela tragédia do Elevador
da Glória, e o rasto de mortes e feridos que provocou. Também aqui, não há a
assunção de responsabilidades políticas. Diz o presidente da Câmara: “A
responsabilidade política é minha. Mas qual é essa responsabilidade? É a de ser
acionista de uma empresa à qual dou uma estratégia. Não posso interferir na
gestão. Posso apenas dar ou não condições. Foi isso que fizemos”. ‘Lamenta-se’!