segunda-feira, 13 de março de 2023

“Maioria Requentada”

 O eleitorado português, é tramado. Numa altura em que tinha partidos novos, “viçosos”, “frescos”, “biológicos”, nada “tóxicos”, logo voltou a dar uma maioria ao PS, desta vez absoluta. Tem “razão” o presidente. Para quê uma maioria “requentada”, quando a horta deu produtos “novos” e “bons”. Aparentemente, tem razão o presidente. Mas só aparentemente. Veja: Como é que o Senhor Presidente acha que tais “novos” produtos cresceram e se desenvolveram, tão rapidamente? Exatamente, à base de estrume e muito pesticida. Ora, com um grau de toxicidade tão elevado, não podemos acreditar que o presidente aconselhasse isso aos portugueses. A verdade é que o fez. O presidente, está disposto a sacrificar a saúde e bem-estar dos portugueses, ao consumo de produtos fora da época. É o fascínio da forma sobre o conteúdo. É o diferente, ainda que este, seja muito igual ao que a história nos mostrou. E aqui, vem ao de cima as conceções conservadoras do presidente, que forçado a coabitar com partidos fora da sua área ideológica, frequentemente “nada sem pé”. A isso nos habituou, é certo. Lembremo-nos daquelas braçadas no rio tejo ou em tantos outros mares e rios por esse mundo fora. Para o presidente, não há poluição. Também é assim na política. Diz o presidente que o Governo nasceu de uma "maioria requentada e cansada", após umas eleições antecipadas e inesperadas. Antecipadas, foram, sem dúvida. Inesperadas, não certamente. O Bloco de Esquerda e o presidente, alinharam as suas estratégias, para que tal acontecesse. Nenhum esforço presidencial foi feito, para reconstruir a maioria existente. O presidente, aliás, num indisfarçado contentamento, viu a sua grande oportunidade de colocar o seu delfim social democrata no poder, saindo-lhe, no entanto, o “tiro pela culatra”. Não só Rui Rio ganhou as eleições no partido, como o PS ganhou as eleições legislativas com maioria absoluta. E aí está, como no jogo da politica, o presidente apostou e perdeu. E perdeu bem. De tal forma que Costa, seu discípulo académico, com a frieza e serenidade dos genes indianos, vem resistindo às investidas presidenciais com uma bonomia e leveza que até os mais otimistas desesperam. Há muito, que os dirigentes e militantes socialistas entendem que o «estado-de-graça» do presidente, expirou. Que é hora de lhe fazer frente. Contudo, a estratégia de Costa é a que melhor resulta. Pena é que os casos e casinhos no governo toldem a estratégia seguida. O faz de conta de um regime presidencial é o que melhor encaixa na postura marcelista. Deixá-lo intervir diariamente é a opção certa, que Costa, percebeu e alimentou, nunca deixando que caísse numa “magistratura de influência", o que tem conseguido.

E é esta a monumental diferença. Marcelo não tem (nem nunca teve) condições pessoais e políticas para exercer uma "magistratura de influência".

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