quarta-feira, 15 de março de 2023

Abusados na igreja católica, revoltai-vos!

É incompreensível este estado de negação.

O Presidente da República de Portugal, País democrático, dizia em outubro de 2022 que a denuncia feita por quatrocentos (400) de vós não era muito comparado com o que se passa “lá fora”. Para o PR de Portugal vós, abusados, sois poucos para serem admitidos como vítimas desse crime hediondo, que é a violação sexual de menores. Num país que se diz maioritariamente católico, “” quatrocentas e tal denúncias, não preenchem quantitativamente os pressupostos do crime par o PR. E, pelos vistos, para a hierarquia da igreja.

Esta aparente gafe do PR, haveria, contudo, de ter consequências nefastas, como se veio a verificar com a divulgação do relatório elaborado pela “Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica em Portugal”. Quase toda a hierarquia da igreja católica de imediato tentou a desvalorização dos casos, a insipiência das denúncias, a fragilidade das provas, a negação do direito à reparação e, chegou ao ponto de se defender, «que os abusadores poderiam receber perdão se tivessem reparado os "danos pelo mal" que causaram». O debate ficou a este nível. Em nenhum dos intervenientes, bispos e cardeal, se ouviu a palavra vítima. E quando a pronunciaram, foi quase sempre em tom de desvalorização.

Muita gente estranha que sendo estes crimes de natureza pública, porque que é que até agora os agentes da justiça em Portugal não se pronunciaram, pelo menos com a gravidade que o caso merece? Ministra da Justiça, Procuradora-Geral da República, Diretor da Polícia Judiciária, etc., etc. "No pasa nada”?

É triste, mas é verdade. Mas quem deu força a uns e fraqueza a outros foi a fala do PR. Este com a sua autoridade política deu o mote, para dentro e para fora da igreja. Resta, pois, a revolta dos abusados. E esta tem de se realizar, sem exposição, com a defesa intransigente da sua privacidade e dignidade. Mas os abusadores, não gozam dos mesmos direitos. Estes têm obrigação de se sujeitar a um julgamento público, tal com acontece a todos os que praticam crimes. Dir-se-á que os crimes prescreveram. Será assim? Ainda não ouvimos os responsáveis pela justiça em Portugal, sobre este assunto. Sentir, que o Estado de Direito Democrático está presente e vigilante em casos tão graves como os denunciados, seria uma prova de proteção da sociedade e um sinal inequívoco de rejeição das práticas denunciadas. O silêncio envergonhado dos agentes do Estado Democrático, perante os crimes realizados na igreja católica, contraste com a sua predisposição para participar em eventos engalanados com dinheiros públicos.

O pior que pode acontecer (e aconteceu), é a amputação da dignidade humana.

Este é, seguramente, um crime sem perdão !...

 

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