A Segunda Volta
Com os níveis de discussão
politica muito baixos, quase a bater no zero, veio o debate da segunda volta
para as presidenciais, quase metido a martelo, para nos desviar a atenção para
os graves problemas que a sociedade portuguesa atravessa, em áreas tão vitais
como a saúde, educação, habitação e custo de vida.
É verdade que se os portugueses
não tivessem, sabiamente, colocado o seu voto na primeira volta,
expressivamente, num candidato da democracia, certamente que o debate da segunda
volta seria muito importante, pois estaria em causa, o próprio regime
democrático e, por consequência, a sua manutenção.
Esse sinal foi expressamente declarado pelo povo português. Nós queremos viver em democracia e para os órgãos de poder elegemos um democrata.
Assim é que a direita mais extremista, bacoca e reacionária, apesar de ter aumentado significativamente a sua representatividade, ainda é controlável pelas forças democráticas, sem quaisquer dúvidas. É, pois, neste jogo de equilíbrios muito instáveis e de «águas turvas» que nos preparamos para a eleição do Presidente da República, com a certeza, de que o candidato antirregime nascido no 25 de Abril de 1974, não será o seu coveiro, pelo menos desta vez, como o esperamos.
Mas cuidado, os tempos são tenebrosos e as ameaças são enormes, cá dentro e lá fora. As manifestações pró-nazis e a cultura do medo e do ódio que se vai instalando nas sociedades ocidentais, com o movimento Trump e seu grupo supremacista MAGA, de perseguição às minorias, são hoje uma ameaça terrível às nações em virtude do desrespeito assumido do direito internacional e das organizações multilaterais, nascidas sob a sua égide. Cá dentro, há quem se aproveite disso para espalhar o ódio, a perseguição, o racismo e a xenofobia de uma forma declarada e, até, institucionalizada.
As instituições democráticas mostram, por vezes, incapacidade na defesa do regime, e são elas próprias absorvidas por este populismo reacionário e antidemocrático criando uma sensação de vazio insuportável. Presidência, Assembleia e Governo têm, nos últimos anos, produzido um desgaste nos princípios e valores da nossa democracia de dimensões incalculáveis, só percebidas em quase toda a sua extensão, quando grupos de cidadãos, alguns de uniforme, espalham o medo e o terror com a complacência das autoridades, que se sentem escudadas, na ausência das instituições. A vida parece ter deixado de ser um bem supremo, perante a ineficácia da governação, que trata a morte como acidente e não como consequência de políticas erradas da governação.
Hoje, nascer em Portugal, é um
risco acrescido, pois nunca se sabe se as grávidas têm o apoio necessário no
momento da conceção. Tudo isto são sinais de fraqueza.
Dia 08 de fevereiro de 2026, a democracia voltará a vencer!