Este mês de julho e,
particularmente, o seu dia 7 (sete), é um mês e dia de má memória para mim. Nos
anos 70, em operação militar realizada no norte de Moçambique (Cabo
Delgado/Mueda), no referido dia 07 de julho, de 1970, fui projetado por mina
anticarro, colocada na picada quando regressava a Mueda. Como seguia no chamado
“rebenta minas” (viatura Berliet, que seguia em frente da coluna com sacos de
areia, para especial proteção do condutor e de quem ia a seu lado e na
retaguarda, na carroçaria, dentro de uma “carcaça” de uma chaimite, um soldado
com uma metralhadora pesada Breda), fomos os primeiros alvos. Eu, com lesão
grave no fígado e no tórax provocado pelo sopro das minas; o condutor foi
projetado para o capim, com alguns cortes e ferimentos ligeiros, apesar de tudo,
o homem da Breda, apenas apanhou um valente susto. Resultado, estive
hospitalizado mais de três meses e passei aos serviços auxiliares. Saí de
Mueda, para Nampula e mais tarde para a então Lourenço Marques. Ainda vim a Lisboa,
na condição de doente em regime ambulatório. Esta vinda a Lisboa era
obrigatória dado o estado de pânico em que estava a família depois de receber
um aerograma “curto e grosso”. Passaram, 50 anos. Hoje é o dia triste deste
aniversário.
Mas hoje é também um dia
duplamente triste, pela morte da minha MÃE a 07 de julho de 2014. É certo que
tinha 99 anos quando faleceu. Mas a verdade é que ninguém lhe dava a idade que
tinha. Era realmente uma pessoa com um espírito jovem que sempre fugiu ao estereótipo
da “velhinha”. Quem a conheceu nesta idade sabe que estou a falar verdade. E
depois foi uma heroína. Criou 6 (seis) filhos de quem se orgulhava muito e tinha
“asa” para todos. Verdadeiramente amiga de todos sofreu a bem sofrer para nos
dar o que não tinha.
Vejam esta infeliz coincidência.
A minha MAÊ veio a falecer no mesmo dia e no mesmo mês do meu acidente, 44 anos
depois.
Memórias tristes, sem dúvida!
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