“O Feto que Nunca se Fez Gente”
”As mulheres no geral não são muito racionais. Nem têm a capacidade de compreender o bem comum, o bem da Nação. Estão biologicamente preparadas para cuidar de um filho, não é para tomar decisões importantes para o futuro de um país. É consensual que os homens são mais inteligentes que as mulheres. E só os homens deviam votar“
Chega é “com enorme orgulho” aliado do Reconquista, diz o deputado Pedro Frazão.
O Chega e os seus aliados são um poço de
contradições, tão grandes, que baralham o legislador constitucional e as
autoridades que têm a seu cargo vigiar o artigo 46.º da Constituição pois
deixam-nos avançar para um racismo primário, uma xenofobia incendiária e um
preconceito, cada vez mais difícil de aceitar.
O Chega e os seus aliados entendem que as
mulheres “Estão biologicamente preparadas
para cuidar de um filho, não é para tomar decisões importantes para o futuro de
um país.” Ou seja, o Chega e os seus aliados, no que toca à mulher, sentem-se
mais próximos da cultura árabe e do papel que estes atribuem à mulher na
sociedade. Um ser desprovido de direitos civis e políticos e outros
exclusivamente para homens.
Aliás, corre o boato que em 2017, cientistas
muçulmanos chegaram à conclusão de que a mulher é um mamífero, mas não é
humana.
Esta “descoberta”, a ser verdadeira, teria sido
revolucionária, pois as mulheres deixariam de ser consideradas simplesmente
como objetos sem alma, mas como mamíferos de pleno direito, com os mesmos
direitos que os outros animais de sua espécie, camelos, dromedários e até
cabras.
O Chega e seus aliados dizem o mesmo, por
outras palavras: As mulheres “Estão
biologicamente preparadas para cuidar de um filho não é para tomar decisões
importantes para o futuro de um país.” São “mamíferos”, com presença
de glândulas mamárias que produzem leite para alimentar os filhotes. A
diferença é que os árabes defendem a burka e outras vestimentas que tapem por
completo estes “mamíferos” e o Chega e os seus aliados são contra a burka e
outras vestimentas que tapem por completo estes “mamíferos”, pretendendo antes
que estas criaturas se apresentem de cara destapada, embora desprovidas de
direitos, designadamente, de votar. “Só
os homens deviam votar”, já “que os homens
são mais inteligentes que as mulheres” (sic)
Esta é a maior afronta da política portuguesa
da atualidade. Ter no parlamento um partido, marcadamente racista, xenófobo e
preconceituoso que pretende retirar direitos às mulheres, confinando-as ao estatuto
jurídico político da mulher árabe, na sua condição de “mamífero” que produzem leite, para alimentar os filhotes. Estes
são os “fetos que nunca se fazem gente”.
Não imagino como se sentem as mães, irmãs,
primas, tias e outras mulheres, da família política do Chega e dos seus
aliados, com tamanho insulto. É certo que uma pequena amostra se encontra na
bancada do Chega. Três “mamíferos”, com evidências de glândulas mamárias que,
se não houver azar, produzem leite, mas, como se tem visto, obstam ao
cumprimento do programa.